“Milhares de vidas poderiam ter sido salvas no Reino Unido, não fossem erros do governo”, diz ex-assessor de primeiro-ministro britânico

Em depoimento parlamentar nesta quarta-feira (26), o ex-assessor de primeiro-ministro britânico, Dominic Cummings, acusou seu ex-chefe, Boris Johnson, de incompetência e o responsabilizou por dezenas de milhares de mortes no Reino Unido. O Reino Unido registrou desde o início da pandemia 128 mil mortos por covid-19, com uma das maiores proporções de mortes por 100 […]

27 maio 2021 - 10:26 | Por João Vitor Simões

Em depoimento parlamentar nesta quarta-feira (26), o ex-assessor de primeiro-ministro britânico, Dominic Cummings, acusou seu ex-chefe, Boris Johnson, de incompetência e o responsabilizou por dezenas de milhares de mortes no Reino Unido.

Imagens: Unidade de Gravação Parlamentar Britânica

O Reino Unido registrou desde o início da pandemia 128 mil mortos por covid-19, com uma das maiores proporções de mortes por 100 mil habitantes no mundo. Por outro lado, o país foi o primeiro a iniciar a vacinação em massa da população contra covid, e já tem 35% da população totalmente imunizada, com as duas doses da vacina.

Em mais de sete horas de depoimentos , Cummings descreveu um governo paralisado pelo caos, confuso e incompetente, que, segundo ele, prejudicou o tratamento da Grã-Bretanha na pandemia e contribuiu para dezenas de milhares de mortes desnecessárias.

Além disso, Cummings afirmou que Johnson é “incompetente para o cargo” que ocupa, tendo errado por exemplo ao ignorar conselhos de cientistas e adiado lockdowns.

Cummings (à esquerda) deixou governo de Borris Johnson (à direita) no ano passado / Foto: Getty Images via BBC

“A verdade é que ministros, funcionários de alto escalão e conselheiros como eu, sentiram uma falta desastrosa de padrões (de gestão) aos quais o público tem o direito de esperar do governo em uma crise como essa”, acrescentou. Afirmando ainda que profissionais na linha de frente eram como “leões guiados por burros”.

O assessor confirmou também ter ouvido uma declaração de Johnson, revelada no mês passado pela BBC, de que preferia ver “corpos empilhados” do que implementar um terceiro lockdown.

Já o primeiro-ministro afirmou mais cedo não ter visto o conteúdo do depoimento do seu antigo assessor, mas defendeu que “a gestão dessa pandemia foi uma das coisas mais difíceis que esse país precisou fazer em muito tempo”.

João Vitor Simões

Acadêmico de Jornalismo pela PUC - Goiás, redator do Papo Aberto e entusiasta em Política Internacional e Esportes.

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